Conforme orientado pelo meu Xará (Rodrigo Ganimi) busquei diversas motos no estado de São Paulo, já que no Rio a quantidade de motos, o preço e as condições das motos não eram tão atrativas quanto em São Paulo. Feitas algumas pesquisas, acabei optando pelo modelo Premium, no qual a moto vem com controle de tração, controle de suspensão, aquecedor de manoplas, medidor de pressão dos pneus, ABS, etc.
Separei três modelos sendo que no final, após as devidas negociações, acabei encontrando a moto que eu queria. Meus olhos em São Paulo era o xará, que se encarregou de ir até a Caltabiano conferir o estado da cavala para mim. De imediato me ligou dizendo que a moto estava nova e que no final de semana poderia ir lá pegar a bichana.
Resolvidos os trâmites do seguro, na sexta-feira entrei no avião e me mandei para Sampa para buscar a minha nova companheira de estrada.
Chegando em São Paulo fui direto para casa do xará, já que no dia seguinte iríamos acordar cedo para ir a loja da Caltabiano. Aproveitamos a ocasião para falarmos de moto, da viagem do xará pelo Atacama no ano anterior, das roupas adequadas para uma longa viagem, dos acessórios (GoPro, GPS, Garmim Zumo, Scala Rider G9), preparo físico e etc, tudo regado a uma cerveja gelada, um bom vinho e uma recepção nota mil que o xará preparou. Depois de muito prosear, fui deitar com aquela pinta de ansiedade que naturalmente tomava conta da minha cabeça em razão do retorno para o Rio no dia seguinte: Como vai ser a viagem? Será que vou me adaptar a moto? Será que não é arriscado encarar de cara uma Dutra com a cavala considerando que nunca pilotei uma moto acima de 300cc? Para o xará não havia qualquer problema, pois me dizia que a moto era extremamente segura, boa de curva e sobrava tecnologia.
Bom, no dia seguinte acordamos, tomamos café da manhã, deixei minha pequena mala na casa do xará, pois a cavala não tinha Top Case e não tínhamos nenhuma aranha para prender ela no banco, seguimos para Caltabiano e chegando lá, estava ela me esperando.
A minha cavala.
BMW R1200 GS Premium
Show Room da Caltabiano/SP
A criançada já admirando seus brinquedos do futuro.
Por volta das 11hs eu estava saindo da Caltabiano sentido Niterói/RJ. Meu xará achou melhor me acompanhar de carro até a entrada da Ayrton Senna, de onde eu seguiria sozinho para casa. Quando subi na moto confesso que minhas pernas tremiam um pouco, afinal eu estava no meio do trânsito de São Paulo sem nunca sequer ter subido numa GS e com quase 500km para encarar pela frente. Os primeiros quilômetros foram de total adaptação, pois as marchas mais longas, a ergonomia, a bolha, o peso da moto, a suspensão macia, etc, tudo era diferente da minha magrela. Seguimos devagar pela Marginal Tietê até um posto situado bem na entrada a Ayrton Senna. Chegando lá, abasteci a cavala despedi do xará e da criançada e segui rumo ao Rio.
Após alguns kilometros pela Ayrton Senna, depois de passada a fase de adaptação, a sensação foi de puro êxtase, daquelas de você gritar para si mesmo: "Puta que pariu, que moto é essa mer'mão!!!!" A cavala planava pela quatro pistas da Ayrton Senna, o motor boxer mostrava todo seu vigor, a suspensão em modo sport era totalmente confortável, o banco da moto me fazia sentir na poltrona da minha casa, o bolha aliviava a pressão do vento sob o capacete, tudo era perfeito e eu dizia para mim mesmo: isso que é moto!
A tocada foi tranquila até a primeira parada no Grall de Guaratinguetá/SP, quando parei para esticar o esqueleto e almoçar. Me vi naquele momento preocupado de como eu iria colocar aquela moto enorme no descanso central, pois no dia anterior, depois de algumas cervejas, desci com o xará até a garagem para treinarmos na moto dele, o que acabou não sendo muito producente por conta do meu teor alcoólico, eu confesso. Depois de alguns esforços e com ajuda da rigidez da minha bota, acabei conseguindo colocar a bichana no descanso central.
Rango leve para não ter sono.
Mala tanque que ganhei de presente do xará
A mala tanque foi de extrema utilidade em minha primeira viagem com a cavala, pois na hora de pagar os pedágios utilizava uma caixa de óculos com dinheiro trocado que ficava dentro dela, entregando a mesma para o caixa, não sendo necessário manusear o dinheiro com luvas ou mesmo ter de tirá-las para poder pagar. Não pouco incomum é alguns motociclistas de big trails deixarem cair a moto por desequilíbrio quando param nos pedágios para pegar dinheiro na jaqueta ou calça. Sendo assim, fica a dica que aprendi com o xará e utilizo até hoje em qualquer saída com a cavala, independente da distância.
Cheguei em Niterói por volta das 5hs da tarde, ainda de dia. A viagem foi ótima e achei impressionante como cheguei com a carcaça inteira, muito diferente de quando rodava poucos kilometros com a magrela e ficava todo quebrado.

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